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Depreciação de equipamentos de locação: como calcular

01/09/2026 · 6 min de leitura

Depreciação de equipamentos de locação explicada com tabela de vida útil, cálculo por diária e o erro que faz a locadora achar que lucra mais do que lucra.

A depreciação de equipamentos de locação é o custo que ninguém vê sair da conta bancária e que, mesmo assim, quebra locadora. O dono olha o extrato, vê R$ 18 mil entrando no mês, R$ 11 mil saindo, e conclui que sobrou R$ 7 mil. Só que a betoneira que ele comprou por R$ 3.500 vale R$ 1.900 depois de dois anos de obra, e esse R$ 1.600 saiu do bolso dele sem passar pelo extrato. Este guia mostra como calcular a depreciação e embutir ela na diária.

O que é depreciação, sem contabilês

Depreciação é a perda de valor do equipamento pelo uso e pelo tempo. Você comprou um ativo que vai virar dinheiro aos poucos e sumir aos poucos. A cada locação, um pedacinho do equipamento se gasta, e esse pedacinho é custo do mês, não do dia em que você comprou.

Para a locadora existem dois usos do mesmo número:

Uso Para que serve Quem manda na regra
Depreciação contábil/fiscal Reduzir o lucro tributável em Lucro Real ou Presumido, e fechar o balanço Receita Federal, taxas da IN 1.700/2017
Depreciação gerencial Formar preço de diária e saber se o item se paga Você, com base na vida útil real

Quem está no Simples Nacional não usa depreciação para reduzir imposto, porque o Simples tributa receita bruta. Isso confunde muita gente e faz a locadora ignorar a depreciação por completo. Erro: mesmo sem efeito fiscal, ela continua sendo custo real do negócio.

Vida útil real dos equipamentos de locadora

A tabela fiscal fala em 10 anos para máquinas em geral. Na vida real de um pátio de locação, com obra maltratando o equipamento, os números são outros:

Equipamento Vida útil em locação Valor residual estimado
Betoneira 400L 5 a 7 anos 20% a 30%
Martelete/rompedor 3 a 5 anos 15% a 25%
Placa vibratória 4 a 6 anos 20% a 30%
Gerador a diesel 6 a 10 anos 25% a 35%
Andaime tubular (peça) 8 a 12 anos 30% a 40%
Escora metálica 6 a 10 anos 25% a 35%
Bomba submersa 2 a 4 anos 10% a 15%
Serra circular de bancada 4 a 6 anos 15% a 25%

Andaime e escora duram mais porque são estrutura de aço sem parte móvel: o que os mata é sumiço e amassado, não desgaste. Bomba e martelete duram menos porque têm motor sofrendo abuso direto do usuário.

O cálculo, passo a passo

Use depreciação linear, que é simples e suficiente:

Depreciação anual = (valor de compra - valor residual) ÷ vida útil em anos

Exemplo com uma betoneira 400L:

Agora traga isso para a diária, que é o número que interessa:

Depreciação por diária = depreciação anual ÷ diárias faturadas no ano

Se essa betoneira roda 150 diárias por ano (taxa de utilização de 41%, realista para betoneira em cidade média):

R$ 525 ÷ 150 = R$ 3,50 de depreciação por diária faturada

Parece pouco. Mas some com manutenção, transporte, limpeza, inadimplência e custo fixo rateado, e você entende por que uma diária de R$ 45 pode não estar sobrando o que você acha. A conta completa de formação de preço está em como calcular o preço de locação de qualquer equipamento.

O detalhe que muda tudo: taxa de utilização

Repare que a depreciação por diária depende de quantas diárias o item roda. O mesmo equipamento tem custos muito diferentes:

Diárias por ano Utilização Depreciação por diária
60 16% R$ 8,75
120 33% R$ 4,38
150 41% R$ 3,50
240 66% R$ 2,19

Item parado no pátio deprecia igual e não gera receita, então o custo por diária explode. Essa é a razão econômica de acompanhar de perto o que está na rua e o que está encostado, assunto de controle de pátio: como saber o que está na rua. Um item com utilização abaixo de 15% raramente se justifica: melhor vender e comprar mais uma unidade do que sai todo dia.

Como usar esse número na prática

Três decisões que a depreciação responde:

  1. Reposição. Reserve mensalmente o valor da depreciação em conta separada. Quando o equipamento morrer, o dinheiro da substituição já existe, sem precisar de financiamento. Isso se conecta direto com o fluxo de caixa da locadora.
  2. Preço da diária. A depreciação entra como custo variável por locação na formação do preço, junto com manutenção e transporte.
  3. Compra de item novo. Antes de comprar, calcule quantas diárias o item precisa rodar por ano para pagar depreciação, manutenção e o capital investido. Se o número for maior que a demanda que você já tem hoje, a compra pode esperar.

Registrar a data de compra, o valor pago e o número de locações de cada item é o que torna essa conta possível. No SIGLE cada equipamento tem ficha própria com histórico de locações, o que dá a taxa de utilização real por item em vez de estimativa de cabeça. Se você ainda controla isso em caderno ou planilha, criar uma conta gratuita e cadastrar o pátio já resolve a metade mais chata do cálculo.

Perguntas frequentes

Locadora no Simples Nacional precisa calcular depreciação? Para imposto, não: o Simples tributa a receita bruta e ignora depreciação. Para gestão, sim, e é obrigatório na prática. Sem esse número você não sabe o custo real da diária nem quando vai precisar trocar o equipamento.

Qual taxa de depreciação a Receita aceita para máquinas e equipamentos? A regra geral da IN 1.700/2017 é 10% ao ano, ou seja, 10 anos de vida útil, para máquinas e equipamentos em geral. Empresas em Lucro Real podem usar prazo menor se comprovarem desgaste maior com laudo técnico.

Depreciação e manutenção são a mesma coisa? Não. Manutenção é dinheiro que sai agora para manter o item funcionando (óleo, correia, rolamento). Depreciação é a perda de valor do bem ao longo do tempo. Os dois entram no custo da diária, mas são linhas separadas.

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