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Entrega e frete na locadora: cobrar à parte ou embutir

18/09/2026 · 6 min de leitura

Como definir o frete na locadora de equipamentos: tabela por faixa de distância, custo real do km rodado e quando vale embutir a entrega na diária.

O frete na locadora de equipamentos é o custo que mais some da conta. A diária da betoneira está calculada, a margem parece boa, mas o Fiorino sai três vezes por dia, o funcionário passa metade do expediente no trânsito e no fim do mês o lucro não aparece. Este artigo mostra como transformar entrega e retirada em receita, e não em cortesia cara.

Por que a entrega virou padrão no setor

Dez anos atrás, o cliente buscava o equipamento. Hoje, boa parte da carteira não tem como transportar betoneira, andaime ou compactador, e a entrega deixou de ser diferencial: virou condição para fechar. A questão não é mais se você entrega, é quanto essa entrega custa e quem paga.

O erro clássico é tratar o frete como gentileza comercial. Quem entrega de graça está financiando o transporte do cliente com a margem do equipamento, e quanto mais longe a obra, pior fica.

Quanto custa de verdade rodar até a obra

Antes de definir preço, calcule o custo real do km rodado da sua frota. Um utilitário leve de locadora em 2026 gira em torno de:

Item Custo mensal típico Observação
Combustível R$ 1.200 a R$ 2.400 8 a 10 km/l no ciclo urbano com carga
Manutenção e pneus R$ 400 a R$ 800 Rodando 1.500 a 2.500 km/mês
Seguro e licenciamento R$ 250 a R$ 500 Rateio mensal
Depreciação do veículo R$ 600 a R$ 1.200 Utilitário de R$ 90 mil a R$ 140 mil
Motorista/ajudante R$ 2.400 a R$ 3.600 Com encargos
Total R$ 4.850 a R$ 8.500

Dividindo por 2.000 km mensais, o custo por km fica entre R$ 2,40 e R$ 4,25, sem contar o tempo de carga e descarga. Uma entrega a 12 km de distância, ida e volta, já custa de R$ 58 a R$ 102 para a locadora. Se a diária da betoneira é R$ 90, entregar de graça queimou a locação inteira.

Tabela de frete por faixa de distância

O modelo que funciona na prática é a tabela por faixa, não o preço por km negociado caso a caso. Faixa é simples de explicar ao cliente, fácil de treinar o atendimento e difícil de errar no orçamento.

Faixa (raio da loja) Frete ida e volta Quando isentar
Até 5 km R$ 60 a R$ 90 Contrato acima de R$ 600
5 a 15 km R$ 100 a R$ 160 Contrato acima de R$ 1.200
15 a 30 km R$ 180 a R$ 280 Contrato acima de R$ 2.500
Acima de 30 km Orçamento com km excedente Caso a caso

Repare no detalhe que muda o jogo: a isenção é por valor de contrato, não por simpatia. Isso transforma o frete em alavanca comercial, o cliente aumenta o pedido para ganhar a entrega e a locadora ganha ticket.

Cobrar à parte ou embutir na diária

As duas formas funcionam, em situações diferentes:

O que não funciona é o meio termo mal resolvido: anunciar "entrega grátis" e depois tentar embutir o custo discretamente no preço. O cliente compara diária com o concorrente, acha você caro e some.

Regras que evitam prejuízo na operação

  1. Cobre a retirada também. Muita locadora cobra a entrega e esquece que o caminhão precisa voltar lá para buscar. São duas viagens, não uma.
  2. Defina janela de entrega. "Entrega entre 8h e 12h" evita que o veículo fique preso esperando a obra liberar acesso.
  3. Cobre viagem perdida. Chegou na obra e não tinha ninguém para receber? Meia taxa de frete, previsto em contrato.
  4. Agrupe rotas. Duas entregas no mesmo bairro no mesmo turno custam quase o mesmo que uma. Isso depende de saber o que está saindo e voltando hoje, que é exatamente o que o controle de pátio resolve.
  5. Registre no contrato quem carrega e descarrega. Andaime e escora exigem braço. Se o combinado é a obra descarregar, isso precisa estar escrito.

O frete dentro da conta de margem

Um erro comum é calcular a margem por equipamento e deixar o frete em uma "despesa geral" que ninguém rastreia. O resultado é uma locadora que acha que a betoneira dá lucro quando na verdade a entrega comeu tudo. Ao revisar a margem por equipamento, aloque o custo de entrega no contrato que gerou a viagem, não no bolo do mês.

Vale rodar o mesmo exercício do DRE simples da locadora: separe a receita de frete da receita de locação. Quando as duas aparecem em linhas diferentes, fica óbvio se a logística se paga ou se está sendo subsidiada.

No SIGLE, o frete entra como item do contrato junto com os equipamentos, aparece no termo de entrega em PDF e vai para a cobrança por Pix ou boleto no mesmo documento, sem planilha paralela para lembrar quanto ficou de entrega em cada obra. Se você quer testar como sua operação fica com entrega e locação no mesmo lugar, o teste do SIGLE é gratuito em sigle.app.br/registrar.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar de frete na locadora de equipamentos? Use tabela por faixa de distância: R$ 60 a R$ 90 até 5 km, R$ 100 a R$ 160 de 5 a 15 km e R$ 180 a R$ 280 de 15 a 30 km, sempre considerando ida e volta.

Vale a pena oferecer entrega grátis? Só com piso de valor de contrato. Entrega grátis irrestrita transfere o custo do transporte para a margem do equipamento e sangra a locadora nas obras distantes.

Devo cobrar a retirada do equipamento separadamente? Sim. São duas viagens distintas. O mais comum é cobrar uma taxa única de logística que já contempla entrega e retirada, deixando isso explícito no contrato.

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