Como definir o frete na locadora de equipamentos: tabela por faixa de distância, custo real do km rodado e quando vale embutir a entrega na diária.
O frete na locadora de equipamentos é o custo que mais some da conta. A diária da betoneira está calculada, a margem parece boa, mas o Fiorino sai três vezes por dia, o funcionário passa metade do expediente no trânsito e no fim do mês o lucro não aparece. Este artigo mostra como transformar entrega e retirada em receita, e não em cortesia cara.
Por que a entrega virou padrão no setor
Dez anos atrás, o cliente buscava o equipamento. Hoje, boa parte da carteira não tem como transportar betoneira, andaime ou compactador, e a entrega deixou de ser diferencial: virou condição para fechar. A questão não é mais se você entrega, é quanto essa entrega custa e quem paga.
O erro clássico é tratar o frete como gentileza comercial. Quem entrega de graça está financiando o transporte do cliente com a margem do equipamento, e quanto mais longe a obra, pior fica.
Quanto custa de verdade rodar até a obra
Antes de definir preço, calcule o custo real do km rodado da sua frota. Um utilitário leve de locadora em 2026 gira em torno de:
| Item | Custo mensal típico | Observação |
|---|---|---|
| Combustível | R$ 1.200 a R$ 2.400 | 8 a 10 km/l no ciclo urbano com carga |
| Manutenção e pneus | R$ 400 a R$ 800 | Rodando 1.500 a 2.500 km/mês |
| Seguro e licenciamento | R$ 250 a R$ 500 | Rateio mensal |
| Depreciação do veículo | R$ 600 a R$ 1.200 | Utilitário de R$ 90 mil a R$ 140 mil |
| Motorista/ajudante | R$ 2.400 a R$ 3.600 | Com encargos |
| Total | R$ 4.850 a R$ 8.500 |
Dividindo por 2.000 km mensais, o custo por km fica entre R$ 2,40 e R$ 4,25, sem contar o tempo de carga e descarga. Uma entrega a 12 km de distância, ida e volta, já custa de R$ 58 a R$ 102 para a locadora. Se a diária da betoneira é R$ 90, entregar de graça queimou a locação inteira.
Tabela de frete por faixa de distância
O modelo que funciona na prática é a tabela por faixa, não o preço por km negociado caso a caso. Faixa é simples de explicar ao cliente, fácil de treinar o atendimento e difícil de errar no orçamento.
| Faixa (raio da loja) | Frete ida e volta | Quando isentar |
|---|---|---|
| Até 5 km | R$ 60 a R$ 90 | Contrato acima de R$ 600 |
| 5 a 15 km | R$ 100 a R$ 160 | Contrato acima de R$ 1.200 |
| 15 a 30 km | R$ 180 a R$ 280 | Contrato acima de R$ 2.500 |
| Acima de 30 km | Orçamento com km excedente | Caso a caso |
Repare no detalhe que muda o jogo: a isenção é por valor de contrato, não por simpatia. Isso transforma o frete em alavanca comercial, o cliente aumenta o pedido para ganhar a entrega e a locadora ganha ticket.
Cobrar à parte ou embutir na diária
As duas formas funcionam, em situações diferentes:
- Cobrar à parte é o padrão para locação avulsa e cliente novo. Deixa claro o que é locação e o que é logística, e permite reajustar o frete quando o diesel sobe sem mexer no preço da diária.
- Embutir na diária faz sentido em contrato longo com construtora, em que o equipamento fica meses na mesma obra e a entrega acontece uma vez só. Nesse caso, diluir o custo na mensalidade simplifica a cobrança.
O que não funciona é o meio termo mal resolvido: anunciar "entrega grátis" e depois tentar embutir o custo discretamente no preço. O cliente compara diária com o concorrente, acha você caro e some.
Regras que evitam prejuízo na operação
- Cobre a retirada também. Muita locadora cobra a entrega e esquece que o caminhão precisa voltar lá para buscar. São duas viagens, não uma.
- Defina janela de entrega. "Entrega entre 8h e 12h" evita que o veículo fique preso esperando a obra liberar acesso.
- Cobre viagem perdida. Chegou na obra e não tinha ninguém para receber? Meia taxa de frete, previsto em contrato.
- Agrupe rotas. Duas entregas no mesmo bairro no mesmo turno custam quase o mesmo que uma. Isso depende de saber o que está saindo e voltando hoje, que é exatamente o que o controle de pátio resolve.
- Registre no contrato quem carrega e descarrega. Andaime e escora exigem braço. Se o combinado é a obra descarregar, isso precisa estar escrito.
O frete dentro da conta de margem
Um erro comum é calcular a margem por equipamento e deixar o frete em uma "despesa geral" que ninguém rastreia. O resultado é uma locadora que acha que a betoneira dá lucro quando na verdade a entrega comeu tudo. Ao revisar a margem por equipamento, aloque o custo de entrega no contrato que gerou a viagem, não no bolo do mês.
Vale rodar o mesmo exercício do DRE simples da locadora: separe a receita de frete da receita de locação. Quando as duas aparecem em linhas diferentes, fica óbvio se a logística se paga ou se está sendo subsidiada.
No SIGLE, o frete entra como item do contrato junto com os equipamentos, aparece no termo de entrega em PDF e vai para a cobrança por Pix ou boleto no mesmo documento, sem planilha paralela para lembrar quanto ficou de entrega em cada obra. Se você quer testar como sua operação fica com entrega e locação no mesmo lugar, o teste do SIGLE é gratuito em sigle.app.br/registrar.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar de frete na locadora de equipamentos? Use tabela por faixa de distância: R$ 60 a R$ 90 até 5 km, R$ 100 a R$ 160 de 5 a 15 km e R$ 180 a R$ 280 de 15 a 30 km, sempre considerando ida e volta.
Vale a pena oferecer entrega grátis? Só com piso de valor de contrato. Entrega grátis irrestrita transfere o custo do transporte para a margem do equipamento e sangra a locadora nas obras distantes.
Devo cobrar a retirada do equipamento separadamente? Sim. São duas viagens distintas. O mais comum é cobrar uma taxa única de logística que já contempla entrega e retirada, deixando isso explícito no contrato.
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