Checklist de devolução de escora metálica: contagem, rosca, pino, tubo empenado e concreto aderido. Saiba o que conferir e quanto cobrar por peça.
O checklist de devolução de escora metálica é diferente do de uma betoneira ou de um gerador. Escora não tem motor, não liga e não faz barulho quando está com defeito. O problema dela é silencioso: um tubo levemente empenado, uma rosca gasta ou um pino trocado por vergalhão passam pela conferência apressada e só aparecem na próxima laje, com outro cliente, debaixo de carga.
Por isso a devolução de escora pede dois cuidados que não existem em equipamento motorizado: contagem por tipo e inspeção peça a peça da parte estrutural. Este guia traz a ordem de conferência, os defeitos que reprovam a peça e uma tabela de reposição para cobrar o que voltou faltando ou danificado.
Antes de começar: separe e conte
Escora chega em volume. Uma obra de 150 m² de laje devolve facilmente 120 a 180 escoras, além de tripés e cabeçotes. Conferir tudo misturado no chão do pátio é receita para erro.
- Separe por tipo e altura. Escora curta (até 3,1 m), média (até 3,5 m) e longa (acima de 4 m) em pilhas diferentes. Tripés e cabeçotes (forcados) à parte.
- Monte pilhas de 10. Contar dez pilhas de dez é mais rápido e mais confiável do que contar 100 peças soltas.
- Confira a marcação da locadora. Toda escora sua deve ter número ou marca de tinta. Peça sem marcação pode ser de outra locadora que o cliente misturou na obra. Não aceite como sua e não deixe sair como sua.
- Compare com o contrato na hora. Faltou peça? Registre na frente de quem veio devolver, com quantidade e tipo.
O método de marcação está detalhado em controle de patrimônio na locadora.
Checklist de devolução de escora metálica, peça a peça
Depois da contagem, cada escora passa por esta sequência. Com prática, leva de 20 a 40 segundos por peça.
| Item | Como conferir | Reprova quando |
|---|---|---|
| Tubo externo | Role a escora no chão plano ou mire ao longo do tubo | Empeno visível, amassado, trinca ou solda nova |
| Tubo interno | Puxe até o fim e recolha | Trava, raspa ou não corre livre |
| Rosca de regulagem | Gire a porca (caneca) de ponta a ponta | Filete gasto, amassado ou porca que pula |
| Furos de regulagem | Olhe contra a luz | Furo ovalizado ou rasgado |
| Pino de travamento | Confira se é o original | Pino ausente, torto ou trocado por vergalhão ou prego |
| Placa de base e de topo | Verifique solda e planicidade | Placa torta, solda trincada ou solta |
| Concreto aderido | Raspe com espátula | Crosta grossa que impede a regulagem |
| Corrosão | Passe a mão no tubo | Ferrugem que descasca ou perfura |
Os três defeitos que mais aparecem
1. Pino trocado. É o mais comum. O pino original se perde na obra e o encarregado improvisa com um pedaço de vergalhão. O vergalhão não tem a resistência nem a trava do pino, e a escora pode ceder. Toda escora deve voltar com o pino original ou ser cobrada.
2. Tubo empenado. Acontece quando a escora é usada como alavanca, para desforma forçada ou quando cai de altura. Um empeno pequeno já reduz a capacidade de carga. Escora empenada vai para manutenção ou descarte, nunca de volta para a prateleira.
3. Concreto na rosca. Respingo de concretagem que secou na rosca trava a regulagem. Uma crosta leve sai com escova de aço e é desgaste normal. Rosca coberta de concreto curado exige horas de limpeza e entra como taxa, conforme explicamos em taxa de limpeza na locação.
Tripés e cabeçotes
Os acessórios somem com mais facilidade do que a escora, porque são menores e úteis em outras etapas da obra.
- Tripé: confira as três pernas, a trava e a abertura. Perna torta impede a escora de ficar no prumo.
- Cabeçote (forcado): confira a solda do garfo e o encaixe no tubo interno. Garfo aberto não segura a viga de madeira com segurança.
Tabela de reposição para cobrança
Valores de referência no mercado brasileiro para escora telescópica simples. Ajuste pela sua nota de compra e deixe a tabela anexa ao contrato.
| Peça | Reposição (faixa) | Conserto (faixa) |
|---|---|---|
| Escora metálica até 3,5 m | R$ 120 a R$ 220 | Desempeno: R$ 25 a R$ 45 |
| Escora longa (acima de 4 m) | R$ 200 a R$ 320 | Desempeno: R$ 35 a R$ 60 |
| Pino de travamento original | R$ 8 a R$ 15 | Não se aplica |
| Porca de regulagem (caneca) | R$ 25 a R$ 40 | Recuperar rosca: R$ 15 a R$ 30 |
| Tripé | R$ 90 a R$ 150 | Solda: R$ 20 a R$ 40 |
| Cabeçote (forcado) | R$ 30 a R$ 60 | Solda: R$ 15 a R$ 30 |
Para comparar: a diária avulsa da escora fica entre R$ 3 e R$ 6 por unidade, como mostramos em aluguel de escora metálica. Uma única escora perdida equivale a um mês inteiro de locação de várias peças. É por isso que a contagem não pode ser feita no olho.
Devolução parcial: o padrão na escora
Escora raramente volta toda de uma vez. A obra libera o pavimento de baixo, devolve uma parte e segura o resto para a próxima laje. Cada retorno parcial precisa da mesma conferência e de um registro separado, com quantidade, data e estado. Se você só confere no fim, não sabe em qual etapa a peça sumiu e perde o argumento na cobrança.
O cálculo de quantas escoras cada laje consome, que ajuda a prever o ritmo dessas devoluções, está em escoramento de laje: quantas escoras por m².
Avaria normal ou mau uso?
| Situação | Classificação |
|---|---|
| Ferrugem superficial, tinta gasta, respingo leve | Desgaste normal, não cobrar |
| Pino ausente ou trocado por vergalhão | Perda, cobrar reposição |
| Tubo empenado, placa torta | Mau uso, cobrar conserto ou reposição |
| Rosca travada de concreto curado | Falta de cuidado, cobrar limpeza |
| Peça faltando na contagem | Perda, cobrar reposição |
Os critérios gerais para separar desgaste de dano cobrável estão em equipamento devolvido quebrado: o que a locadora pode cobrar. E a lógica de contagem em pilhas, que vale também para peças de andaime, está no checklist de devolução de andaime.
Quem controla escora por quantidade, com várias devoluções parciais no mesmo contrato, ganha muito em registrar cada retorno com data e estado. No SIGLE, cada devolução parcial fica registrada no contrato com o termo de devolução em PDF, e o saldo de peças na rua é recalculado na hora.
Perguntas frequentes
Escora com ferrugem pode ser cobrada do cliente? Ferrugem superficial é desgaste normal de uma peça que fica exposta ao tempo na obra. Só cabe cobrança quando a corrosão compromete a peça, como furo no tubo ou rosca travada, e mesmo assim depende do tempo de uso.
O que fazer com escora que voltou empenada? Separe na hora, marque e mande para desempeno ou descarte. Nunca devolva para a prateleira. Uma escora empenada perde capacidade de carga e pode ceder na próxima laje.
Como evitar perda de pinos e acessórios? Liste pinos, tripés e cabeçotes como itens separados no contrato, com valor de reposição. Quando o cliente vê o preço de cada peça no papel, o cuidado na obra aumenta.
Toca uma locadora de equipamentos?
O SIGLE controla contratos, pátio e pagamentos num só lugar. Grátis pra começar.